Exigência de desempenho: 2ª área possível?

Os pensadores da Escola de Frankfurt sabem que não se adere à razão inocentemente. Concluem que a razão, exaltada tradicionalmente por ser “iluminada”, também traz sombras em seu bojo, quando se torna instrumento de dominação.

Na obra ‘Eclipse da razão’, Horkheimer distingue dois tipos de razão: a cognitiva e a instrumental. A primeira, como o nome diz, é a que busca conhecer a verdade, enquanto a razão instrumental é a operacional, aquela que visa a agir sobre a natureza e transformá-la. No entanto, no capitalismo, com o desenvolvimento das ciências aplicadas à técnica – que permitiu o progresso da tecnologia a patamares jamais vistos – a razão instrumental tomou tal vulto que se sobrepôs à razão cognitiva.

Esses teóricos identificam a origem do irracional ao exercício desse tipo de racionalidade, que, em última análise, visa à dominação da natureza para fins lucrativos e coloca a ciência e a técnica a serviço do capital.

Quando a valorização dos meios se sobrepõe aos fins humanos, esvanece a ideia de que a ciência e a técnica seriam condição de emancipação social. Em vez de emancipar, provocaram o desaparecimento do sujeito autônomo, engolido pela uniformidade imposta pela indústria cultural, como disseram Adorno e Horkheimer.

FONTE: FILOSOFANDO, Introdução à Filosofia, p.199 – Trecho adaptado